A MORTE NA FILA DA SAÚDE EM ILHÉUS - EPISÓDIO I – TFD



Mirinho Duarte

A excelência dos serviços de Saúde prestados à população ilheense pelo Núcleo de Assistência Especializada – NAE e pelo Centro de Atenção ao Diabético, Hipertenso e Idoso –é outro nível e nem de longe parece integrar ao Sistema Municipal de Saúde, onde, ao contrário, a situação de penúria varia entre o ruim e o pior e quando temporariamente a situação é amenizada, não passa de uma avalição sofrível.  O trabalho do NAE/CADHI é fruto do esmero, do zelo, da responsabilidade e consciência profissional de cada servidor lotado em cada um dos dois entes, independente de cargo ou função. É gente que transforma a sua profissão em uma mania de bem cuidar de gente doente com empatia e atendimento humanizado. Pena que essa conduta não contamina e raramente é mirada como espelho.

Inclusive, quando o CADHI/NAE acompanham um mesmo paciente, intersetorialmente, os resultados são excelentes, entretanto, quando a intersetorialidade é direcionada ao TFD – Tratamento Fora do Domicílio, a situação se complica por razões múltiplas, dentre inúmeras, algumas, ora aqui destacadas:

Por exemplo, a sede onde funciona o TFD é um prédio antigo, com 4 andares, mais de 60 anos de construído, há tempos sem elevador, escadas com largura menor e inclinação maior que as previstas na legislação, sem rota de fuga, dispensando-se a expertise técnica para se afirmar a falta de Segurança e inexistência de acessibilidade naquele imóvel onde são atendidas diariamente dezenas de pessoas idosas, com dificuldade de locomoção parcial ou total, cardiopatas, dentre outros, sem condições de subirem e descerem escadas, inclusive na iminência de serem acometidos de mal súbito por conta de doenças do coração. É um imóvel que representa uma tragédia anunciada, pois reúne todos fatores de riscos de acidentes, inclusive, de incêndio. 

Será que esse imóvel dispõe de um Laudo Técnico de Inspeção Predial atualizado? E de um Laudo Técnico de Inspeção do Corpo de Bombeiro de Sistema de Prevenção a Incêndios e riscos de outros acidentes? Em caso de acidente em razão da falta de condições estruturais do prédio, a quem culpar pelos danos por ventura causados?

Pois bem, não basta a eficiência mecânica no cumprimento da jornada de trabalho demonstrando responsabilidade profissional puro e seco. É preciso eficácia na prestação do serviço, cuja eficácia, na área da Saúde, se revela pela empatia, empenho e sensibilidade humana do Servidor, que numa conduta única e igual, ao esgotar todos os esforços consegue atender sem apadrinhamento, a necessidade de um paciente, ou, não conseguindo, o seu empenho demonstrado, para si é uma prova do dever cumprido e, para o paciente, o reconhecimento e a confiança de que pode contar com alguém na luta pela reversão da sua enfermidade. Essa relação de empatia é exemplo espelhado nos quadros do NAE/CADHI.

É correto dizer que a recuperação ou a preservação da saúde de um paciente tem como preciosidade o bom uso do tempo disponível na prática de ações planejadas, coordenadas e executadas com precisão, pois, de outra forma, as consequências são previsíveis: debilidade do quadro e até óbito. 

Há dois anos um paciente peregrinou no TFD/REGULAÇÃO para se submeter a uma angioplastia com a colocação de um stent em uma de suas artérias. O paciente aguardou por um procedimento que não foi realizado e há quatro meses, às pressas, submeteu-se a uma cirurgia de revascularização do miocárdio. Pela demora, a previsão de um procedimento rápido e pouco invasivo, se transformou em uma cirurgia de alto risco com “peito aberto”. 

O Sistema operacional do TFD para a relevância do que significa a sua finalidade, é obsoleto, lento e atua em uma jornada menor que a necessária para atender minimamente a sua demanda diária. Primeiro, o Setor não é informatizado. Logo, para funcionar exige-se uma montanha de documentos diários dos pacientes, que se acumulam em arquivos e gavetas, podendo facilmente serem destruídos ou extraviados; Segundo, as passagens para Tratamento Fora do Domicílio são autorizadas por um Médico, somente às quintas-feiras e, Terceiro, a jornada de trabalho para atendimento aos pacientes corresponde ao período das 07:00 às 13:00 hs, das segundas às quintas-feiras. Às sextas os pacientes não são atendidos no TFD, sem contar com a falta de informação expressa e exposta quanto aos prazos estabelecidos para o ingresso de pedido de liberação de passagens, quando para continuação do tratamento, será de 10(dez) dias antecedentes à data da viagem. Se for o primeiro pedido, esse prazo dobra para 20(vinte) dias antes a data da viagem.

Diante desse quadro não tem como não se atrasar liberação de passagens, de se adiar tratamento ou outro procedimento fora do domicílio cujo paciente dependa de algum recurso do município, de forçosamente deixar de ser inserido na fila da morte enquanto aguarda saúde e nos casos mais graves de morrer sem assistência.

Estranho e incompreensível é a Câmara Municipal de Ilhéus distar a menos de cem metros da sede do TFD e os seus membros se portarem omissos como o Executivo Municipal, ao qual incumbem-se fiscalizar.

Portanto, Procura-se pelo menos uma Autoridade em Ilhéus, que usando das suas prerrogativas, por convencimento do diálogo ou por imposição legal, determine ao Prefeito Municipal de Ilhéus transferir para um imóvel decente, seguro e acessível a prestação dos serviços púbicos realizados no antigo prédio da SEFAZ, em respeito as pessoas vulneráveis por acometimento de enfermidades, principalmente idosos e deficientes físicos.

Procura-se pelo menos uma Autoridade em Ilhéus, se é que existe e se importa, para adotar medidas no sentido de se reestudar o funcionamento da prestação dos serviços relativos ao TFD/REGULAÇÃO, de modo a reduzir o tempo de espera na fila de exames, de consultas médicas com especialistas, de disponibilidade de vagas em hospitais de outros centros para tratamentos especializados não oferecidos em Ilhéus e, consequentemente, de reduzir o índice de agravamento de saúde de enfermos e em caso de óbito, que não seja pela espera em razão da omissão do Poder Público e com o mínimo de dignidade.

Isso é uma Denúncia !

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem