AS BOCAS FAMINTAS: O FESTIM DO ERÁRIO NAS REDES DA DESINFORMAÇÃO


Elas estão por toda parte. Em sites que mais parecem caça-níqueis de indignação, em blogs com cheiro de guarda-roupa velho, em páginas de redes sociais que operam como máquinas de lavar cérebro. São as Bocas Famintas. Nunca se saciam. Estão sempre abertas, sedentas, babando pelo próximo repasse, pela próxima verba, pelo próximo osso partidário a ser roído.

Essas Bocas Famintas não mastigam notícias, elas devoram recursos. Seu alimento predileto é o dinheiro público, temperado com interesse político. Sua linguagem é o ataque e sua gramática, a ameaça. Seu argumento final é a intimidação. Abrem-se para gritar "denúncia!" quando o que desejam é sussurrar "negociação". São gulodices institucionais, financiadas por digestões sujas de verbas de publicidade, contratos de fachada e apoios que nunca são declarados com transparência.

Uma está em Ilhéus e outra em Salvador. Ambas acreditam, com a ingenuidade dos espertos, que controlam o apetite da opinião pública. Pensam que, ao disseminar meias-verdades (ou até inverdades) como se fossem manjares dos deuses, podem ditar o cardápio intelectual de uma região. Mas seu menu é enganoso. Servem caldos ralos de indignação, pratos frios de conspiração, sobremesas mofadas de falsos moralismos. Tudo com o mesmo sabor: o do iogurte vencido da má-fé.

O produto dessas Bocas Famintas não é texto, pois desobedecem às mais elementares normas cultas. Não é informação, é inflamação. Escrevem com a qualidade de um panfleto de decima terceira categoria, mas com a ambição de um chantagista de primeira. Seu único talento é localizar, com radar de abutre, a carteira dos poderosos. A verdade é acidental; o furo, financeiro. A pauta é ditada pelo saldo bancário do alvo ou do aliado.

E o método? A extorsão pelo susto. Estas Bocas não persuadem, aterrorizam. "Pague em clique, em visibilidade, em silêncio, ou vamos alimentar a fera do escândalo contra você." É um jogo velho, revestido de nova tecnologia: criar um monstro de retórica para depois vender a armadura frágil da própria proteção midiática.

Mas no fim da digestão, o que resta? Um público empanturrado de sensações vazias e desinformado sobre os fatos. Um erário mais magro, desviado para calar vozes que deveriam ser independentes. E as Bocas Famintas, sempre famintas, buscando a próxima refeição à custa do dinheiro público e da sanidade democrática. As bocas nunca estarão satisfeitas. Até um leão em jejum intermitente de três meses, estaria mais satisfeito do que as bocas famintas. Porque no jornalismo de verdade, a boca fala apenas o que os olhos viram e os ouvidos ouviram. Não passa o dia aberta à espera de um pix.


Fernando Mantra

Jornalista

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